Queda do Edifício Liberdade completa seis anos nesta quinta

Famílias das vítimas até hoje não sabem de quem foi a culpa pelo acidente

Quarta-feira, 25 de janeiro de 2012. Oito e meia da noite. Três prédios desabam atrás do Theatro Municipal, no movimentado Centro Histórico da cidade. O primeiro a cair foi o Edifício Liberdade, com 20 andares. Logo depois, outros dois prédios vizinhos também tombaram. A BandNews FM Rio foi a primeira emissora a noticiar o caso que deixou 17 pessoas mortas e cinco desaparecidas. Seis anos depois, ninguém foi responsabilizado pela tragédia.

A investigação da Polícia Civil apontou que uma obra, realizada pela empresa Tecnologia Organizacional que removeu paredes do terceiro e do nono andar do prédio, teria causado o colapso estrutural. A reforma não contou com o acompanhamento de um engenheiro. Mesmo assim, o síndico do edifício, Paulo Renha, liberou a realização da obra. Ele foi acusado pela tragédia, mas morreu um ano depois.

Com a morte dele, o Ministério Público decidiu apresentar denúncia contra os responsáveis pela empresa TO, Sérgio Alves de Oliveira e Cristiane do Carmo Azevedo, mas os dois foram absolvidos no ano passado. A Justiça entendeu que outros fatores podem ter contribuído para o desabamento, entre eles as obras do metrô, em 1970, e a construção de mais cinco pavimentos do prédio, que passou de 16 para 20 andares. Além disso, a defesa dos então acusados apresentou um laudo que mostra que as paredes do prédio não tinham funções estruturais.

Marinez Lacerda, esposa do professor de Informática, Osmar Lacerda, morto no desabamento, conta que nunca foi procurada pelo Estado ou pela TO. Seis anos depois da tragédia, ainda há perguntas sem respostas. Vera Lúcia Ferreira, mãe do analista de sistemas, Bruno Gitahy, entrou na Justiça para pedir a exumação do corpo do filho, mas até hoje não teve resposta. Segundo ela, no laudo há divergências de dados, como a cor do cabelo, da pele e até mesmo do estado do cadáver.

O Presidente da Associação de Vítimas do Treze de Maio, Antônio Molinaro, ainda luta para esclarecer outras questões. O dentista tinha um consultório no edifício Colombo, que também desabou, e revelou à época que viu vários objetos pertencentes aos prédios que caíram em carros do Corpo de Bombeiros. Ao buscar explicações, ele foi preso acusado de suspeitar dos militares. Horas depois o dentista foi solto e continua cobrando explicações.

O pedido de absolvição dos réus foi feito pelo Ministério Público do Estado. A associação de Vítimas da Treze de Maio não recorreu da decisão.

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